Sentido

 

 

Sentido

 

Cravo no peito o longo punhal da espera.

O sonho se renova no alvorecer do dia.

E como quem vive de esperança fugidia,

Hei de cultivar a mais esta quimera.

 

Enche-se o espaço de dúvida contida;

Penso no que espera por mim adiante.

E como quem pergunta em estado agonizante,

Hei de morrer: será espera descabida?

 

Se há um sonho, há resposta, afinal;

Se há dúvida, há, de fato, explicação;

E eis que desfiro o golpe fatal.

 

E como há esperança, há razão;

Há de haver mais no coração;

Muito mais que um longo punhal.

 

RAQUEL LUNA